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Advogado é investigado por manipular imagem com IA para julgamento da Chacina do Curió

Sala de julgamento da Chacina do Curió - TJCE Sara Parente/TJ-CE Um advogado é investigado pela Polícia Civil do Ceará por manipular uma imagem obtida por u...

Advogado é investigado por manipular imagem com IA para julgamento da Chacina do Curió
Advogado é investigado por manipular imagem com IA para julgamento da Chacina do Curió (Foto: Reprodução)

Sala de julgamento da Chacina do Curió - TJCE Sara Parente/TJ-CE Um advogado é investigado pela Polícia Civil do Ceará por manipular uma imagem obtida por uma câmera de segurança, com uso de Inteligência Artificial (IA), para utilizar em um julgamento do caso que ficou conhecido como Chacina do Curió - a morte de 11 pessoas na periferia de Fortaleza. Oito policiais militares foram condenados por participar de crimes naquela noite, enquanto outros 21 PMs foram absolvidos. Conforme documentos obtido pelo g1, a investigação foi aberta pela Polícia Civil após um pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE), feito em outubro de 2025, para apurar o cometimento do crime de fraude processual no curso de processo penal. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou "grandes divergências" na imagem apresentada pelo advogado durante o julgamento, na comparação com a imagem original. Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O g1 opta por não divulgar o nome do advogado neste momento, porque ele ainda é investigado pela Polícia Civil, sem indiciamento. O nome do PM que ele representou no julgamento também não será identificado. A Polícia Civil foi procurada para comentar o andamento da investigação criminal, mas não se manifestou até o momento desta publicação. O Ministério Público respondeu que "aguarda a distribuição dos autos pela Justiça para se manifestar". Também procurada, a Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) disse que ainda não foi informada sobre a investigação contra o advogado. Policiais condenados por chacina do Curió Como aconteceu a suposta fraude Em documento enviado à Polícia Civil em outubro de 2025, o Ministério Público do Ceará pontuou que um advogado anexou aos autos de um processo, três dias antes do julgamento, "uma fotografia distorcida e com vestígios de edições" oriunda de um laudo da Perícia Forense do Ceará - datado de 2016. À época, o laudo pericial sobre a imagem de câmera de segurança concluiu "que havia, no vídeo, fatores de degradação das imagens, tais como pixelização, nível de ruído elevado, iluminação inadequada, presença de artefato de compreensão e qualidade de foco reduzida e que tais fatores são irreversíveis mediante processamento digital", segundo o MPCE. Porém, conforme o Ministério Público, o advogado "juntou imagem da perícia, mas desta feita com nitidez e qualidade superior à do próprio vídeo, trazendo informação que o veículo não é um Toyota Etios, mas um da marca Chevrolet". Perícia Forense comparou imagem original com a imagem apresentada pelo advogado. Reprodução. O advogado teria dito, na tréplica do julgamento, ao apresentar a imagem editada, que "isso daqui foi jogado no Gemini, inteligência artificial, e foi dado na engenharia de prompt um comando pedindo para deixar realista e descrever com a máxima realidade as características do veículo apontado. O resultado que dá? Um Cobalt". O veículo em questão, filmado pela câmera de segurança, teria sido utilizado por autores da Chacina do Curió, na madrugada de 12 de novembro de 2015. 11 pessoas foram mortas por homens encapuzados, na região da Grande Messejana, em Fortaleza, entre aquela madrugada e a noite anterior. A Pefoce foi acionada pelo MPCE para analisar a imagem apresentada pelo advogado em 2025 e comparar com o laudo de 2016. Ao sobrepor as imagens, os peritos encontraram "grandes divergências entre a posição, dimensão, faróis, logomarca e rodas dos veículos. Tais divergências são fortes indícios de adulteração e não de tratamento de imagens, pois procedimento de tratamento de imagens tem o objetivo de ressaltar informações já contidas na matriz de dados da imagem, e não deve alterar a posição dos pixels". Os peritos concluíram, ao sobrepor as imagens, que há "grandes divergências". Reprodução. Resultados dos julgamentos Cinco julgamentos sobre a Chacina do Curió já foram realizados na Justiça do Ceará. Ao total, 29 réus (todos policiais militares) foram julgados pelo júri popular - 8 deles foram condenados à prisão e os outros 21 réus foram absolvidos. As sessões judiciais ultrapassaram 330 horas de duração. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o primeiro julgamento começou no dia 20 de junho de 2023. Os réus Antônio José de Abreu Vidal Filho, Marcus Vinícius Sousa da Costa, Wellington Veras Chagas e Ideraldo Amâncio foram condenados a 275 anos e 11 meses de prisão e à perda do cargo público. A defesa deles recorreu, e as penas foram redimensionadas para 238 anos e 11 meses de prisão. No dia 29 de agosto de 2023, oito réus começaram a ser julgados. Os PMs Gerson Vitoriano Carvalho, Thiago Veríssimo Andrade Batista de Moraes, Josiel Silveira Gomes, Thiago Aurélio de Souza Augusto, Ronaldo da Silva Lima, José Haroldo Uchoa Gomes, Gaudioso Menezes de Mattos Brito Goes e Francinildo José da Silva Nascimento foram absolvidos, após nove dias de julgamento. Primeiro julgamento da Chacina do Curió foi concluído com a condenação de quatro policiais militares em Fortaleza Fabiane de Paula/Sistema Verdes Mares No terceiro julgamento, iniciado no dia 12 de setembro de 2023, o réu José Oliveira do Nascimento foi condenado a 210 anos e 9 meses de reclusão, por 11 homicídios. Já José Wagner Silva de Souza foi condenado a 13 anos e 5 meses de reclusão, pela prática de três crimes de tortura, sendo duas físicas e uma mental (mas não foi condenado pelos homicídios). Outros cinco policiais militares - Antônio Flauber de Melo Brazil, Clênio Silva da Costa, Francisco Helder de Sousa Filho, Maria Bárbara Moreira e Igor Bethoven Sousa de Oliveira – foram absolvidos de todas as acusações, por negativa de autoria, naquele julgamento. Em 25 de agosto de 2025, começou o quarto julgamento do caso. Seis dias depois, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição dos policiais militares Daniel Fernandes da Silva, Gildácio Alves da Silva, Luís Fernando de Freitas Barroso, Farlley Diogo de Oliveira, Renne Diego Marques, Francisco Flávio de Sousa e Francisco Fabrício Albuquerque de Sousa. No último julgamento realizado, iniciado em 22 de setembro do ano passado, Marcílio Costa de Andrade foi condenado a 315 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão e Luciano Breno Freitas Martiniano foi sentenciado a 275 anos e 11 meses de reclusão. Para ambos foi decretada a prisão e a perda do cargo público de policial militar. Moivmento Mães do Curió fez ato do lado de fora do fórum em lembrança das vítimas da chacina Ismael Soares/SVM Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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